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Clichês




Por favor, vamos parar por aqui. Eu odeio brigar e eu sei bem onde isso pode terminar. Não se faça de desentendido e não diga que não estamos tendo uma briga, porque eu sei reconhecer uma. Eu sabia, estava tudo perfeito demais. Eu odeio a forma que você me faz parecer tão errada. Você era perfeito... Até discordar de mim. Dessa vez, eu admito, eu me surpreendi. Eu costumo ‘escolher’ os caras de quem eu vou gostar, e você caiu como de pára-quedas na minha frente, com todas aquelas palavras fofas e cantadas baratas. Pois agora quem precisa de um pára-quedas sou eu, pois eu sinto que estou caindo e não sei o que eu irei encontrar.

Você já sabe que eu adoro clichês e que eu odeio ser surpreendida. Recusei um pedido de namoro de baixo das cobertas escondido da minha mãe, porque em um cavalo seria muito mais impressionante – mesmo você ironizando que há muitos cavalos em sua casa. Mas isso não é justo, em contos de fadas príncipes vem em cavalos... E se você for o meu príncipe? Eu não tenho direito a um cavalo? Ou o cavalo da modernidade é uma moto parecida com a do meu vizinho? Eu juro que eu não tenho nada com ele. Um cavalo parece muito mais interessante – e seguro – do que a moto que ele guarda abaixo de sua janela.

Eu estou mudando o ciclo das coisas. Eu pensei por noites e noites sobre aquilo que você me disse – “começa com quer e termina comigo” –, eu fui mesmo tão insensível? Ou basta eu alegar que eu queria que você dissesse? Pois eu quero. Assim as coisas parecem tão mais reais. Ditas. Seja alto, seja baixinho, ao pé da orelha – onde você sabe, é meu ponto fraco. Já pensei em te levar à praia, ao por do sol, e repetir suas palavras, mas todos os dias você faz questão de me mostrar o quão machista você é – e eu, também.

Eu vou assumir, eu salvo todos os meus textos no meu iPod, para que você possa lê-los. Queria que um sorriso bastasse. Gostaria de ler seus pensamentos enquanto você os lê. Fico procurando as palavras para entender o porquê você está rindo. Você nunca compartilha. Mas eu tive que tirar o som do meu celular, para eu parar de me distrair com as suas mensagens durante o dia – e a noite... Você me acostumou mal.

Odeio não resistir a você. Odeio não conseguir não responder suas mensagens logo que elas chegam, mesmo que você tenha levado uma hora para responder. Odeio o quanto você demora para responder, isso fica me levando a pensar no que você está fazendo... O que você está fazendo? Aliás, o que você espera que eu diga? É uma hora da manhã e eu tenho aula logo cedo... Você sabe que eu durmo cedo. Você devia descansar. E eu também. Odeio a forma que meus parágrafos diminuem ao longo do texto. E eu não sei o que significam reticências. Reticências significam reticências.

Mais um texto da série ‘textos que ninguém irá ler’, com participação especial ‘textos que eu jamais irei me lembrar’.

"Eu queria ser cupido do meu próprio amor."

Comentários

  1. Você deveria escrever um livro, seu blog tem udo pra dar certo, estou viciada, quero mais mais e mais e estou com fome dos seus textos.

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  2. Nath, você é uma fofa! Haha, me divirto com os seus comentários! Você falando assim eu até acredito! A maioria desses textos eu já tinha 'guardado', digo, escrevia e salvava, para um momento mais oportuno e estou começando a expô-los, e quem sabe assim me inspira a escrever mais?! Quero muito um dia escrever um livro, mas tenho caminho até lá. Só tenho a agradecer o seu apoio amiga, obrigada por tudo! Beijão.

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