Ouvi dizer que ele se arrependeu. Talvez tenha dito isso da boca para fora, assim meio sem pensar. Talvez ele não tenha bancado as consequências de se envolver com uma mulher como eu (forte, decidida, intensa). Tenho para mim que ele sabia exatamente onde estava se metendo assim como eu também sabia. Escrevo porque me vejo inconformada de como a mesma experiência pode ser tão diferente para duas pessoas. Será que ele ainda se arrependeria se soubesse como realmente foi e o que significou para mim? Eu não esperava que ele fosse o amor da minha vida, mas achei que poderíamos durar um pouco mais do que isso. Com ele, pude ser eu mesma. Com ele, a escuridão não era mais refúgio. Pela primeira vez, as luzes ficaram acesas, e, ao invés de esconder, me senti segura. As sombras não cobriam mais o que sou. Me permiti ser inteira, visível, em cada detalhe. Eu não me arrependo. Arrisco dizer que faria tudo de novo, mas com alguns ajustes. Ligaria menos para os outros e me concentraria mais em nós...
Santo Antônio é conhecido como o santo casamenteiro. Na minha religião é conhecido como Exu; entidade essa que muito já me ouviu falar sobre os desejos de viver uma história linda de amor. A romântica incurável dentro de mim faz ver beleza nos gestos mais simples e tornar eterno o que não se passaram de minutos. Nosso primeiro beijo aconteceu aos pés da igreja mais bonita da cidade. Foi em um dia de chuva, de forma meio tímida, meio escondida, mas que fez os sinos do meu coração badalar, as pernas estremecerem e as borboletas no estômago despertarem. Depois desse primeiro beijo, a timidez abriu espaço para a intensa e emocionada amante que sou. Perdi as contas de quantas vezes o semáforo abriu e fechou enquanto eu o distraia dizendo que o deixaria ir assim que o semáforo abrisse novamente para pedestres. No meio disso eu aproveitava para roubar mais beijos.