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Tem que ser correspondido?


“Quando a gente ama, às vezes, é preciso saber dizer ‘até logo’”.

Para ser amor verdadeiro... Tem que ser correspondido? Às vezes eu sinto que eu amo aquele rapaz, mas ele ama outra mulher agora. Isso quer dizer que não é amor verdadeiro? Que não serve, não ‘vale’...? Às vezes eu sinto como se não fosse amar mais ninguém. Outras vezes eu penso que na verdade não foi ‘tudo isso’ (foi muito, mas não tudo) e penso quão bom seria amar novamente, sentir aquele frio na barriga no primeiro encontro, criar expectativas, ensaiar falas e chegar na hora, fazer tudo diferente.

Também penso no que ele poderia estar pensando em todas as vezes que me viu. Nas vezes que me ligou e, nas mensagens de fim de tarde, perguntando como foi meu dia. Não, eu não me vejo como substituta, ‘tapa buraco’, quebra galho, ou o que quer que seja que vocês prefiram dizer. Eu acredito, do fundo do meu coração, que em cada encontro, em cada ligação, cada mensagem... Ele estava lá. Ele tentou, do jeito dele, mas tentou. Eu via nos seus olhos o quanto ele se esforçava para gostar de mim da forma que eu gostava dele. Mas não deu... Eu era demais para ele, eu sobrei...

Quando eu fui para minha primeira entrevista de emprego, eu julguei que eu era a pessoa mais qualificada para trabalhar lá. Todos eram jovens, mas eu era a única de roupa social, celular desligado, evitei falar alto, participei até o último minuto da dinâmica... Tudo certo, eu ia ser contratada. Ia. Quando não recebi a ligação, fiquei chocada. Não conseguia ver onde eu tinha errado! Conversei com familiares meus (cá entre nós, mais experientes no assunto), que me aconselharam e disseram que na verdade, eu não fiz nada errado. Eu era mais do que eles estavam procurando.

Quem sabe, quando este rapaz entrou na minha vida, ele estivesse precisando de alguém que se vestisse de forma mais casual, não usasse sempre maquiagem, deixasse o celular ligado, alguém que não se importasse em fazer as coisas milimetricamente corretas. Já eu, não... Eu não diria que eu procurava alguém justamente como ele. Na verdade, eu nunca procurei alguém como ele. Suas características iam além dos olhos azuis (o que me causava grandes problemas com garotas). Mas sua idade traz também sua bagagem. Mas eu o aceitei, porque eu vi nele algo que eu jamais vi em ninguém.

Será que ele foi o primeiro? Será que isso acontece de novo, ou só uma vez? Como eu vou saber, né...? Faz tão pouco tempo. Mas ele sempre dizia que eu sou nova. E sou mesmo. E nessa idade a gente tem a mania de achar que nada vai passar. Que todas as nossas desilusões amorosas vão durar para sempre. Ah, que bobeira a minha... Eu já passei por isso tantas vezes. Nunca atingiu tão forte o coração. Mas aumenta a idade... Aumenta a responsabilidade. Né?

Ainda não tenho as respostas para as minhas perguntas. Mas eu tenho uma virtude: eu sempre fui muito paciente. Pode parecer que não, pois também sou ansiosa. Mas sei esperar. Eu irei esperar pelas respostas, porque eu sei que ao longo da vida, o tempo (e a idade) vai me responder todas essas questões. Talvez nem fosse amor. Talvez fosse mais que amor. Só a vida sabe.

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