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O que eu aprendi




Fiquei pensando muito sobre o que eu teria que aprender com ela. Apesar da mensagem ser clara entre nós, o tipo de pessoas que somos e a forma de se relacionar que buscamos, no final das contas não dava certo, não batia, a conta não fechava. Precisei de alguns (muitos) dias longe para entender onde estaria a resposta. Eu estava na cidade dela, mas ela estava a mais de três mil quilômetros de distância, o coração jamais sentiria o que eu estava fazendo.

            Então eu revisitei a história com todos os meus ex, li todos os textos, repassei diálogo por diálogo mentalmente. Coloquei na balança tudo que era diferente com eles em relação a ela. Eu estava disposta a fechar essa conta. Foi quando resolvi realmente mergulhar no passado, mas no presente, olhei as redes sociais e me surpreendi com novidades gigantes na vida de cada um. Puxa, que egoísta eu seria né? Quando olho para a minha vida vejo tudo de novo que vem surgindo – e que de forma alguma eu cogitei não viver estes momentos –, ao mesmo tempo em que a vida dela parece estar seguindo exatamente os planos que ela me disse que tomaria.

Era como se tudo estivesse se virando contra mim. Tive que olhar frente a frente para as feridas que meu egoísmo – e meu orgulho – fez. Mas não foi como em filme de terror em que as circunstâncias e a música de fundo lhe avisam que você tem que fechar os olhos nos próximos segundos, foi escancarado, sem avisar. Eu não esperava por nada do que eu havia visto em nenhum dos casos. Mas por quê? Se ao longo de todos esses anos e, principalmente neste último ano – este em que também a conheci –, minha vida se transformou por completo, mas eu não considerei manter a agenda à caneta por ninguém.

A verdade mais dolorosa que eu precisei encarar era: as pessoas conseguem continuar vivendo e evoluindo sem mim. Elas conseguem ser felizes sozinhas (e também com outras pessoas), conseguem fazer suas próprias escolhas. Acertar ou errar. Independente de tudo que eu tenha feito por elas. Mesmo sabendo que, por trás daquela porta que a protagonista do filme insiste em abrir, há um monstro, eu não tenho como impedir ou dizer que ela não faça isso. É o roteiro dela, é o filme dela, e eu sou uma mera telespectadora. A não ser que seja mais um filme especial do Black Mirror, mas essa tecnologia toda ainda não chegou na vida real.

No final das contas, cheguei a conclusão de que eu sempre fiz muito pela pessoa com quem eu me relacionava (mas este não é o problema). A questão é que eu criava uma ilusão de dependência, de que aquela pessoa não conseguiria ser feliz sem mim – e eu sem ela –, mas a verdade é que eu fui muito feliz longe das pessoas que acreditei não poder viver sem. E quando me vi perdendo ela, aquela estranha sensação de estar desperdiçando uma nova chance foi grande.

Confesso que nunca mantive amizade com ex, mas com ela foi diferente, eu não conseguia nem se quer justificar para mim o porque as coisas eram assim, eu apenas deixei ser. Depois de um tempo, quando vi que realmente era uma via de mão dupla apesar de separadas – ou “mesmo depois de separadas” –, entendi que essa amizade era possível. Mas mais que isso, eu sentia dentro de mim que aquele sentimento forte de “algo mais” ainda existia e nela também, possivelmente. Com toda essa reflexão, acho que pude aprender que é possível ser feliz junto e separado (ao mesmo tempo). Ser muito, muito felizes juntas, mas também manter suas individualidades, suas particularidades, suas manias e esquisitices. Suas vontades de ficar sozinha em casa num Sábado a noite bebendo um vinho e assistindo à filmes ou de passar o dia todinho abraçadinhas.

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