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Sobre despedidas




Deram um abraço, algo que nenhum dos dois seria capaz de descrever bem... Se havia saudade, uma despedida ou a vontade de nunca soltar. Ao se separarem os olhos dela estavam úmidos, a voz dele era tremula quando disse: "Espero que este abraço não seja o último". Até o pior dos cafajestes poderia ensaiar essa fala, mas nunca soaria tão sincero como quando ele a pronunciara. Ela abriu a porta do carro e antes de descer pediu "Espere eu entrar para ir embora - não quero ver-te partir". Ele disse em tom quase inaudível "Ta bom". Então ela desceu e caminhou em direção as escadas, com um aperto no coração por não poder olhar para trás e sorrir, com a certeza que sempre tivera de que o veria novamente estacionado naquele local, porque sabia que não veria. Ele por sua vez não foi capaz de esperar tanto assim, vê-la entrando sem olhar para trás também lhe doía, não queria ver. A raiva que sentia quando ela insistia em sair em seus trajes de dormir já não lhe afetaram dessa vez, pois sabia que ela o fez de propósito, apenas para provocar-te uma reação do tipo "Você está ultrapassando os limites que estabelecemos". Esses limites não existiam mais. Ela entrou procurando um lugar para chorar, ele foi embora procurando motivos para não chorar. Homens não choram, é assim que tem que ser. "Eu tenho um papel a cumprir" pensava ele, tinha que chegar em casa inteiro, por dentro e por fora, mesmo que aquela garota lhe tenha roubado boa parte do que possui por dentro. Mas esse buraco poderia ser preenchido com as partes dela que ficaram para ele. Eles se afastaram, estavam dentro um do outro mas nunca tão distantes como agora. Não se falaram mais. Apenas em pensamentos, onde cada um ensaiava o que diria e qual era a resposta. Não passou disso.

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