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Príncipe australiano



Ele dizia ser um homem australiano. De certo eu nunca conheci um australiano a quem compará-lo; como também nunca conheci um príncipe, mas para mim era a figura da qual ele mais se aproximava. Um príncipe australiano talvez. Ele era bem alto, o suficiente para montar em um cavalo branco (mas acho que ele esquecia dessa parte). Era forte, mas seus músculos eram naturais. Seus olhos pareciam um pedacinho roubado do céu, e sua boca, de tanta perfeição, parecia que foi desenhada a mão por Deus. Suas mãos eram grandes e grosseiras, pesadas, ele não sabia lidar com elas. Mas seus pés, ele sempre dizia, seus pés eram feios. Cá entre nós, nisso eu nunca reparei mas seus pés funcionavam muito bem como apoio para os meus. Seu corpo por inteiro, parecia que funcionava perfeitamente em conjunto. Até mesmo em partes eram perfeitos, mas nele... Tudo se transformava. Ele andava torto, meio duro. As pernas pareciam que estavam grudadas pelas cochas, mas suas cochas eram lindas. Tinha o cabelo sempre raspado e sua barba loira era coisa que pouco se via. Sua voz ao contrário de grossa, era suave, doce e ao mesmo tempo máscula. Aquela que você sonharia ouvir em uma ligação no meio da madrugada. Até mesmo comparada a um anjo. Não era só, era pai. Um pai de coração, coruja, babão. Daqueles que fala "minha filha nunca vai chegar em casa esta hora" e depois corrige "mas pior que vai né? Não tem jeito". Sempre com o coração na mão. Ele fica sem jeito com ligações no meio da noite e quando recebe elogios. Beijos em público também não são o ideal mas ele jamais rejeitaria. Não era romântico, mas se você entrar em seu carro e desejá-lo 'feliz um mês' ele ira se derreter todo. Ele tem um coração de gelo, mas se até o Alasca esta se derretendo, porque o coração dele não? Mas tem que ser naturalmente, nada de maçaricos e martelos. Ele é um príncipe. Um príncipe australiano.

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