As coisas gritam na minha mente e eu
simplesmente tento fugir, tampo os ouvidos para não escutar, finjo que não sei.
Namorar... Só namora quem diz que namora? Quem ajoelha e pede ao amado? Quem
usa aliança e troca o status no Facebook? Quem determinou isso? Só existe
sentimento se passar de "certo tempo" junto... Quem disse isso? Há tanta gente a
mais de 10 anos juntos e não sente nada, há tanta gente gritando ao mundo o
relacionamento que tem, mas não passa de uma ilusão. Eu não ‘namorei’, eu não
passei anos junto, não usei aliança, não troquei status do Facebook, não
apresentei aos meus pais, mas eu vivi... E nada no mundo substitui esses
momentos. Momentos que eu realmente vivi, senti. Momentos que nem o tempo pode
me dar. E quem é que vai dizer que estou errada, que estou iludida e que vou me
decepcionar? Ninguém sabe o que se passa aqui dentro, nem o que se passou. Quem
acha que sabe, vê as coisas através da própria vivencia, e o que o outro viveu
não é o que eu vivi, e vice versa. Não há quem possa julgar. Se o que foi pra
mim, não é igual ao que foi pra ele, que pena. Eu só sei que eu vivi e foi bom.
E se pra ele foi bom também, do jeito dele, que bom. Sei que não foi muito parecido,
mas sei também que ele tentou gostar de mim como eu gostava dele, e por hora
isso é o suficiente. Tem coisas que não podemos exigir das pessoas. E no final,
eu vou contar a história pelo que ela foi e significou para mim, e não para os
outros. E esse é o meu lado da história.
Era uma Sexta -feira. Eu estava de férias, a Copa já tinha acabado. Combinei com a minha melhor amiga de irmos para a minha balada favorita. Como de costume, fui para o meu treino a noite. Estava esperando o ônibus, ia para a cada da minha avó pegar o carro e depois iria ne arrumar pra sair. Mas minha amiga me mandou uma mensagem: - "Amiga, não estou no clima de balda hoje, passei mal no trabalho. Mas a minha amiga nos chamou para ir em um bar com sinuca. " Tudo bem, nem tudo estava perdido. Prossegui como planejado, peguei o ônibus e fui até a casa da minha avó. Cheguei lá já era tarde e ela não queria emprestar o carro! No fim, deixou. Mas de birra me fez tirar o carro da garagem para ver se eu desistia. Não não, mesmo depois de deixar o carro morrer 5x tentando sair da garagem, lá estava eu a caminho de casa. Me arrumei pra ir pro bar! Nada de muito extravagante. Minha calça rosa favorita, meu sapato de ponteira dourada, jaqueta de "couro", brinco ...

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