Deram um abraço, algo que nenhum dos dois seria
capaz de descrever bem... Se havia saudade, uma despedida ou a vontade de nunca
soltar. Ao se separarem os olhos dela estavam úmidos, a voz dele era tremula
quando disse: "Espero que este abraço não seja o último". Até o pior
dos cafajestes poderia ensaiar essa fala, mas nunca soaria tão sincero como
quando ele a pronunciara. Ela abriu a porta do carro e antes de descer pediu
"Espere eu entrar para ir embora - não quero ver-te partir". Ele
disse em tom quase inaudível "Ta bom". Então ela desceu e caminhou em
direção as escadas, com um aperto no coração por não poder olhar para trás e
sorrir, com a certeza que sempre tivera de que o veria novamente estacionado
naquele local, porque sabia que não veria. Ele por sua vez não foi capaz de
esperar tanto assim, vê-la entrando sem olhar para trás também lhe doía, não
queria ver. A raiva que sentia quando ela insistia em sair em seus trajes de
dormir já não lhe afetaram dessa vez, pois sabia que ela o fez de propósito,
apenas para provocar-te uma reação do tipo "Você está ultrapassando os
limites que estabelecemos". Esses limites não existiam mais. Ela entrou
procurando um lugar para chorar, ele foi embora procurando motivos para não
chorar. Homens não choram, é assim que tem que ser. "Eu tenho um papel a
cumprir" pensava ele, tinha que chegar em casa inteiro, por dentro e por
fora, mesmo que aquela garota lhe tenha roubado boa parte do que possui por
dentro. Mas esse buraco poderia ser preenchido com as partes dela que ficaram
para ele. Eles se afastaram, estavam dentro um do outro mas nunca tão distantes
como agora. Não se falaram mais. Apenas em pensamentos, onde cada um ensaiava o
que diria e qual era a resposta. Não passou disso.
Era uma Sexta -feira. Eu estava de férias, a Copa já tinha acabado. Combinei com a minha melhor amiga de irmos para a minha balada favorita. Como de costume, fui para o meu treino a noite. Estava esperando o ônibus, ia para a cada da minha avó pegar o carro e depois iria ne arrumar pra sair. Mas minha amiga me mandou uma mensagem: - "Amiga, não estou no clima de balda hoje, passei mal no trabalho. Mas a minha amiga nos chamou para ir em um bar com sinuca. " Tudo bem, nem tudo estava perdido. Prossegui como planejado, peguei o ônibus e fui até a casa da minha avó. Cheguei lá já era tarde e ela não queria emprestar o carro! No fim, deixou. Mas de birra me fez tirar o carro da garagem para ver se eu desistia. Não não, mesmo depois de deixar o carro morrer 5x tentando sair da garagem, lá estava eu a caminho de casa. Me arrumei pra ir pro bar! Nada de muito extravagante. Minha calça rosa favorita, meu sapato de ponteira dourada, jaqueta de "couro", brinco ...
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