Já faz um tempo
que ele se foi. Desde então eu passei a olhar mais para os lados. Com ele era
apenas em frente, sempre em frente; tudo parecia estar em seu lugar, não havia
o que procurar. Tem um tempo já que ele virou naquela esquina movimentada e
seguiu sem mim, sumiu na multidão. Não sei onde aquela rua vai dar, e nem dá
para saber. Já ficou para trás. Eu continuo em frente, seguindo o mesmo caminho
que eu estava antes de começar a caminhar com ele. São tantas esquinas, tantos
nomes; avenidas, ruas sem saída, ruas de mão dupla, ruas de mão única... Ainda
não dobrei nenhuma esquina, ainda não sai dessa rua na qual ele me deixou;
talvez seja o medo de me perder novamente. Talvez na próxima esquina eu me
encontre. Quem sabe. Minha amiga disse que ali há um bar que é a minha cara,
talvez eu vá conhecer. Bom, o talvez ficou para trás. Alcancei a esquina e vou
conhecer o bar. Volto outra hora... Talvez.
Por favor, vamos parar por aqui. Eu odeio brigar e eu sei bem onde isso pode terminar. Não se faça de desentendido e não diga que não estamos tendo uma briga, porque eu sei reconhecer uma. Eu sabia, estava tudo perfeito demais. Eu odeio a forma que você me faz parecer tão errada. Você era perfeito... Até discordar de mim. Dessa vez, eu admito, eu me surpreendi. Eu costumo ‘escolher’ os caras de quem eu vou gostar, e você caiu como de pára-quedas na minha frente, com todas aquelas palavras fofas e cantadas baratas. Pois agora quem precisa de um pára-quedas sou eu, pois eu sinto que estou caindo e não sei o que eu irei encontrar. Você já sabe que eu adoro clichês e que eu odeio ser surpreendida. Recusei um pedido de namoro de baixo das cobertas escondido da minha mãe, porque em um cavalo seria muito mais impressionante – mesmo você ironizando que há muitos cavalos em sua casa. Mas isso não é justo, em contos de fadas príncipes vem em cavalos... E se você for o meu...
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