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Capuccino

    



Eu descumpri nosso combinado silencioso: eu pedi meu capuccino sem canela, mesmo você dizendo que ele fica melhor completo. Eu quase nunca tenho paciência de esperar elas trazerem o açúcar e uso os de sachê, mesmo você dizendo que o outro é melhor. Eu gosto de me apegar em outros detalhes. Prefiro sentir o sabor do meu café, adoçado com chocolate e um pouco de açúcar não tão refinado assim, sem o sabor da canela polvilhada por cima roubando a cena.

Eu não estou mais no lugar em que você me deixou. Acho que isso era meio obvio que iria acontecer. Me pergunto ainda porque de você sempre verificar se eu ainda estou ali. De você sempre perguntar se irei até a minha casa almoçar. Sempre checando as minhas certezas. Pra você deve ser muito confortável saber que eu sempre estarei nos mesmos lugares e fazendo as mesmas coisas. Mas você está enganado. Eu não sou mais a mesma.

Mal sabe você, mas tomar cafés saborosos (e de certa forma superfaturados) sempre foi um hobby meu. Minha mãe disse que tive a quem puxar. Assim como tirar a canela é algo com precedentes, as vezes é o chantilly... Sempre dou um jeito de tornar aquele café especial para mim, único. Em algum momento isso iria acontecer. Sem canela ele continua bom igual, mas nenhum outro capuccino terá o mesmo sabor que o primeiro, aquele que você me apresentou.

Chego na padaria, sou recebida por uma atendente sorridente e que sabe quem eu sou. "Boa tarde, eu gostaria de um capuccino. Sem canela, por favor". Ela se retira ainda sorridente. E assim segue...

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