Pular para o conteúdo principal

Carta para meu menino



ADVERTÊNCIA: Para ler apenas em caso de algo ter acontecido comigo.
MENINA, sua.

Meu menino,

eu não sei como (ou por onde) começar.

Pronto! Comecei. Eu devo concordar com você em algo que me disse no passado: nós não combinamos. Eu não consigo entender esse seu costume de simplesmente ler e ignorar as mensagens que eu mando - e não porque você não teve tempo de responder, mas porque não QUIS. Eu já tentei de todas as formas, mas não dá. Preciso de alguém que de fato queira conversar comigo. Alguém que me mande uma mensagem depois que sair do trabalho e que me mande bom dia logo quando acorda. Alguém que compreenda que as vezes eu quero comer a sobremesa antes do prato principal. Que talvez eu queira ver o final do filme antes de ver o meio.

Devo admitir que adoro quando você me surpreende e me abraça por trás e afunda seu rosto em meu cabelo. E do jeitinho fofo de dormir beeem abraçadinho e não soltar por nada. Mas ainda não compensa os dias que você diz que adoraria estar comigo mas não faz esforço nenhum pra fazer essa madrugada virar dia.

Os esforços sempre partiram da minha parte. Eu sempre fui a pessoa que abria mão de outras coisas para ficar com você. Eu sempre demonstrei mais. Acho que eu também gostei mais. E um relacionamento não pode ser unilateral. Tem que ser uma via de mão dupla. Percebi que no meio de todo esse tempo você simplesmente estacionou e eu continuei. Eu irei continuar, sozinha, mas por outro caminho.

Obrigada por ter me acompanhado até onde foi possível você me acompanhar. Sei que seu combustível acabou mas um dia alguém aparecerá e abastecerá seu coração novamente. Infelizmente meu combustível não foi suficiente para nós dois. Eu também irei encontrar alguém pra quem eu baste.

***

Meu menino,

passamos um tempo longe, mas ao mesmo tempo parece que este foi o tempo que mais nos aproximamos. Nesse tempo eu pude refletir sobre o que aconteceu conosco e o que nos levou a dar este tempo. Você que decidiu se afastar, mas também foi você que decidiu se reaproximar.

Eu sei que esperei demais de você, e coisas que talvez você não pudesse me dar. Mas nunca fizemos um alinhamento de expectativas, o que um esperava do outro. E com o avançar das coisas eu comecei a acreditar que tudo poderia continuar avançando. Ou melhor... Não sem que tivessemos essa conversa antes.

Algumas coisas no meu jeitinho te incomodaram, assim como coisas no seu jeitinho me incomodaram também. Mas nenhuma delas foi forte o bastante a ponto de frear completamente o sentimento que estava nascendo em nossos corações. Mas ele precisa ser regado.

Me mantive longe por medo de sufocar novamente. Por medo de me inserir em uma rotina que não me serve. Eu tenho que te inserir na minha rotina e você tem que me inserir na sua. Não podemos forçar um ao outro. Sei que você me entende completamente quando combinamos planos que se resumem a se encontrar para dormir, justamente por causa dessa rotina louca. Mas não existe coisa melhor do que dormir juntinho depois de um dia estressante e cansativo.

Eu encontrei descanso em você. E essa minha pressa pelo que vem no final é justamente para que eu possa repousar em seu abraço sem ter que me preocupar com nada mais. Porque eu não quero me preocupar com mais ninguém que não sejam você e eu. Quero te dar a chave do meu apartamento e por ventura te encontrar me esperando no final do dia. Eu quero te esperar no final do dia com a certeza de que você vem.

Vem?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Clichês

Por favor, vamos parar por aqui. Eu odeio brigar e eu sei bem onde isso pode terminar. Não se faça de desentendido e não diga que não estamos tendo uma briga, porque eu sei reconhecer uma. Eu sabia, estava tudo perfeito demais.  Eu odeio a forma que você me faz parecer tão errada.  Você era perfeito... Até discordar de mim. Dessa vez, eu admito, eu me surpreendi. Eu costumo ‘escolher’ os caras de quem eu vou gostar, e você caiu como de pára-quedas na minha frente, com todas aquelas palavras fofas e cantadas baratas. Pois agora quem precisa de um pára-quedas sou eu, pois eu sinto que estou caindo e não sei o que eu irei encontrar. Você já sabe que eu adoro clichês e que eu odeio ser surpreendida. Recusei um pedido de namoro de baixo das cobertas escondido da minha mãe, porque em um cavalo seria muito mais impressionante – mesmo você ironizando que há muitos cavalos em sua casa. Mas isso não é justo, em contos de fadas príncipes vem em cavalos... E se você for o meu...

Se arrependimento matasse

Ouvi dizer que ele se arrependeu. Talvez tenha dito isso da boca para fora, assim meio sem pensar. Talvez ele não tenha bancado as consequências de se envolver com uma mulher como eu (forte, decidida, intensa). Tenho para mim que ele sabia exatamente onde estava se metendo assim como eu também sabia. Escrevo porque me vejo inconformada de como a mesma experiência pode ser tão diferente para duas pessoas. Será que ele ainda se arrependeria se soubesse como realmente foi e o que significou para mim? Eu não esperava que ele fosse o amor da minha vida, mas achei que poderíamos durar um pouco mais do que isso. Com ele, pude ser eu mesma. Com ele, a escuridão não era mais refúgio. Pela primeira vez, as luzes ficaram acesas, e, ao invés de esconder, me senti segura. As sombras não cobriam mais o que sou. Me permiti ser inteira, visível, em cada detalhe. Eu não me arrependo. Arrisco dizer que faria tudo de novo, mas com alguns ajustes. Ligaria menos para os outros e me concentraria mais em nós...

E foi assim que tudo começou

Era uma Sexta -feira. Eu estava de férias, a Copa já tinha acabado. Combinei com a minha melhor amiga de irmos para a minha balada favorita. Como de costume, fui para o meu treino a noite. Estava esperando o ônibus, ia para a cada da minha avó pegar o carro e depois iria ne arrumar pra sair. Mas minha amiga me mandou uma mensagem: - "Amiga, não estou no clima de balda hoje, passei mal no trabalho. Mas a minha amiga nos chamou para ir em um bar com sinuca. " Tudo bem, nem tudo estava perdido. Prossegui como planejado, peguei o ônibus e fui até a casa da minha avó. Cheguei lá já era tarde e ela não queria emprestar o carro! No fim, deixou. Mas de birra me fez tirar o carro da garagem para ver se eu desistia. Não não, mesmo depois de deixar o carro morrer 5x tentando sair da garagem, lá estava eu a caminho de casa. Me arrumei pra ir pro bar! Nada de muito extravagante. Minha calça rosa favorita, meu sapato de ponteira dourada, jaqueta de "couro", brinco ...