Agora eu
estou aqui, sozinha, refletindo mais uma vez sobre tudo o que passamos desde
que nos conhecemos. Posso dizer que faz vinte e dois dias; como posso dizer que
faz quatorze dias. Não sei o que considerar, a partir de onde começar... Você
insiste em dizer que no nosso primeiro “encontro” eu fui antipática e não falei
com você, mas eu me recordo bem de ter voltado ao seu lado, conversando com
você sobre faculdade, por vezes ainda interrompi minha amiga, para poder falar
mais com você. E você também insiste em dizer que eu não ria de nada... Mas eu
me lembro de olhar para trás e rir, quando você bateu palmas ao final de uma
música – você lembra que música era? Quero adicionar à nossa playlist.
Por favor, vamos parar por aqui. Eu odeio brigar e eu sei bem onde isso pode terminar. Não se faça de desentendido e não diga que não estamos tendo uma briga, porque eu sei reconhecer uma. Eu sabia, estava tudo perfeito demais. Eu odeio a forma que você me faz parecer tão errada. Você era perfeito... Até discordar de mim. Dessa vez, eu admito, eu me surpreendi. Eu costumo ‘escolher’ os caras de quem eu vou gostar, e você caiu como de pára-quedas na minha frente, com todas aquelas palavras fofas e cantadas baratas. Pois agora quem precisa de um pára-quedas sou eu, pois eu sinto que estou caindo e não sei o que eu irei encontrar. Você já sabe que eu adoro clichês e que eu odeio ser surpreendida. Recusei um pedido de namoro de baixo das cobertas escondido da minha mãe, porque em um cavalo seria muito mais impressionante – mesmo você ironizando que há muitos cavalos em sua casa. Mas isso não é justo, em contos de fadas príncipes vem em cavalos... E se você for o meu...

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