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Existe amor em SP sim!


Resolvi escrever sobre um ângulo diferente da minha vida, algo que está presente dia a dia e que desperta muitas perguntas de amigos e pessoas próximas e até das que não são próximas. Eu nasci e vivi meus 20 anos na cidade de Santos, litoral de São Paulo. Onde vive grande parte (quase toda) da minha família. Estudei desde o jardim de infância até o cursinho pré-vestibular e não me arriscava a ir nem para São Vicente (cidade vizinha) para curtir uma praia ou visitar um shopping diferente. Quando fiz a minha tão sonhada matricula na faculdade, o susto para toda família – porém, algo que eu sempre anunciei – fiz a matricula em uma faculdade na Grande São Paulo, sim, na cidade de São Paulo. A minha vida desde então tornou-se uma montanha russa.

Algumas das perguntas que sempre me fazem quando digo:

Por que resolveu estudar em São Paulo?

Bom, Santos não é lá uma cidade muito grande. Nunca fui muito de sair, de curtir, de baladas (até agora), mas também nunca me senti completamente livre aqui. Por ter passado toda a minha vida em Santos eu via São Paulo na televisão como um mundo paralelo, algo como o fruto proibido, um lugar que não se pode ir sozinho, que para ir sem se perder só de excursão, só com pessoas que conhecem, etc. Mas ao mesmo tempo, a mídia sempre mostra o melhor de São Paulo, a cultura, os parques, os teatros, as ruas, os shoppings, mostra também o vandalismo, a marginalidade, a criminalidade, mostra São Paulo de diversos ângulos e que jogue a primeira pedra quem nunca se interessou de ver isso de perto! Toda essa realidade incrível, confusa, curiosa, perigosa... Ah, isso sempre me chamou muito atenção.

Aliás, quem não conhece alguém que deixou a cidade que morava para começar em um emprego em São Paulo? Porque lá é a central dos empregos, dos negócios, que é o centro para tudo o que temos aqui. Quem nunca ouviu dizer que as faculdades de lá são melhores? Foi assim que eu pensei! Poxa, se lá é melhor, se é lá que estão os empregos, porque não começar desde cedo já a investir no meu espaço lá? Foi quando começaram os grandes trabalhos em casa...

Seus pais deixaram você ir assim? Tranquilamente?

Não, rs. Foi literalmente uma guerra mundial dentro de casa até que minha mãe se fizesse convencida de que esta era a melhor opção. Pesquisei em inúmeros sites sobre as faculdades de lá e daqui, peguei depoimento de pessoas conhecidas que fizeram o mesmo, sempre falava dos comentários dos meus professores de que “faculdade se faz longe dos pais”. Foram meses e mais meses (na verdade, foram 2 anos) para convencer não só a minha mãe, mas o meu pai (que também saiu de casa para fazer faculdade em São Paulo) e o restante da comissão, minha família. Minha mãe era apenas a ponta do iceberg, na verdade por ser a pessoa que me alimenta, me veste e paga todas as minhas despesas. Não era pra menos. Aos poucos ela foi vendo que não iria conseguir me segurar dentro de casa e que se estivéssemos juntas com certeza essa seria uma experiência bem melhor. Procuramos as melhores opções, dentre morar lá, morar sozinha, com parentes, subir e descer todo dia... Não tínhamos muita grana (ainda não temos) mas o segredo todo foi pesquisar, tentar todas as opções que tínhamos e planejar. Muito planejamento!

Foi praticamente uma surpresa quando saiu o resultado de que eu tinha conseguido a bolsa de 100% no curso que sempre sonhei fazer. Foi então que começou a correria, separar os documentos, ver qual era o caminho que tinha que fazer para chegar na faculdade, pesquisar republicas e fretados na internet, corre pra cá, corre pra lá. Eu na verdade fiz minha matricula sem saber onde iria ficar. Meu pai mora em São Bernardo do Campo, uma cidade bem próxima da capital, então passei exatamente uma semana hospedada na casa dele até encontrar um lugar mais próximo da faculdade. Foi um trabalho árduo de pesquisar no google republicas e a distancia da faculdade, quais os transportes que eu precisaria usar, os gastos... Foi uma dor de cabeça total. Mas no final, acabei encontrando uma republica feminina próxima ao metro Praça da Árvore, um local bem agradável para se morar. Eu passei 3 meses nessa república e quando voltada para casa nos fim de semanas eu já não me sentia em casa. Tornei daquele lugar o meu lar. Foi incrível passar esses 3 meses sozinha (ou quase isso), fiz muitas amigas, a lotação da republica era aproximadamente 25 meninas, pois era uma casa com 6 quartos. Confesso que vivi bem pois tinha ajuda da minha mãe com a comida. Ela congelava mistura, como strogonoff, lasanha, panquecas, frango a parmegiana, mandava também coisas como arroz pronto, purê de batata... Eu ia me virando... Não comi um miojo se quer enquanto estive lá, rs também não tinha como né?!

Aí me perguntam por que sai de lá... São coisas que não posso expor muito pois graças a Deus ainda tenho as portas da republica abertas para mim quando precisar voltar, mas digamos que houve um desentendimento com uma ex moradora de lá, minha mãe já não conseguia pagar... Juntou tudo e então decidimos que era a hora de tentar algo mais “em conta”. Foi quando me mudei para a casa do meu tio-avô, em Itaquera. Resumindo minha vivência lá, fui muito infeliz em grande parte por se tratar de ser muiiito longe de todo o resto da cidade! Eu levava 1h para chegar na faculdade, a linha de metro 3 vermelha é simplesmente um absurdo... Coisas que vamos aprendendo a conviver. Mas não foi fácil. De toda essa experiência o mais difícil foi mesmo me manter distante da minha família. OK era tudo o que eu queria, mas não é fácil. Para todos os jovens que estão entrando nessa vida agora o meu conselho é: não ouça o que eu digo, vá lá e faça! A minha experiência de nada vai valer para os outros, porque cada um irá viver de uma forma, cada um tem uma condição financeira diferente, tem objetivos diferentes, personalidade diferente. Eu não mudaria em nada, não teria deixado de ir mesmo sabendo que meses depois estaria de volta a Santos! Porque eu amei cada segundo, São Paulo é tudo que eu imaginei e mais um pouco! É algo que só dá para saber vivendo.

Como você faz hoje em dia? Sobe e desce todo dia? Não é muito cansativo? Não é muito caro?


Hoje em dia eu subo de fretado, acordo aproximadamente 5h da manhã (o mesmo horário que eu deveria acordar quando estava em Itaquera – eu sempre dormia um pouco mais). Cansativo é, mas é um preço justo a se pagar levando em consideração que hoje eu faço o curso do meu sonho, numa faculdade boa, na cidade em que sempre sonhei e ainda assim estou próxima da minha família. Eu já me acostumei a ir e voltar, digamos que eu vivo o melhor dos dois mundos e estou muito feliz! Cansada eu fico sim, é bem desgastante, mas tudo depende da sua vontade, da sua determinação... Para voltar eu pego ônibus “normal” na rodoviária e desço próximo da minha casa. Não chega a ser tããão caro, não é barato, mas saiu mais em conta em relação a morar lá (sozinha). Estou procurando emprego aqui e lá, qualquer uma das opções seria interessante. Eu penso em voltar a morar lá, mas não agora, no futuro... Não desisti de São Paulo e sei que São Paulo não desistiu de mim. São experiências pelas quais eu tinha que passar. Sem dúvidas eu aprendi muito. E recomendo a todos um porre de São Paulo. Só assim a gente aprende a viver, rs.

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